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Na Minha Mesa de Cabeceira#6 | Just Mercy (Thando Malambo Amankwah)

18th July 2018

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Na Minha Mesa de Cabeceira é uma série sobre livros que quer garantir que os melhores livros são lidos vezes sem conta. Sabe mais sobre esta série aqui.


Just Mercy : A Story of Justice and Redemption [Apenas Misericórdia: Uma História de Justiça e Redenção], Bryan Stevenson (2014)

Bryan Stevenson é um advogado excepcional e um campeão destemido para os pobres, os quebrantados, os injustamente condenados. Em Just Mercy, ele escreve desde as linhas da frente, carregando o coração e a alma, enquanto guia os leitores pela fealdade do sistema de justiça criminal dos Estados Unidos. O livro é cru, abrasador e profundamente corajoso. Eu já o li várias vezes e desafia sempre tanto a minha compreensão, como o compromisso para com a minha noção de justiça como jovem adulta Adventista do Sétimo Dia.

Talvez o aspecto mais marcante do livro sejam os relatos que Bryan faz das histórias dos seus clientes. Crianças como o Charlie de 14 anos, que foi profundamente traumatizado por viver durante anos com um pai abusivo. Charlie foi condenado por um crime trágico e enviado para uma prisão de adultos onde foi abusado sexualmente e violado por homens prisioneiros mais velhos. Quando se conheceram pela primeira vez depois de Bryan assumir o caso de Charlie, este sentou-se em silêncio atordoado por um longo, longo tempo. Finalmente rompeu em prantos nos braços de Bryan, a soluçar fortemente enquanto tentava encontrar as palavras para descrever o abuso que tinha sofrido na prisão. Uma criança quebrantada, e quebrantada ainda mais por um sistema de justiça que falhou em protegê-lo.

No entanto, juntamente com relatos de injustiça, há poderosas histórias de misericórdia ao longo do livro. Histórias sobre famílias como os Jennings, que adotaram o Charlie como seu, ajudaram-no a obter seu diploma de equivalência geral enquanto esteve detido, financiaram a sua educação universitária e tornaram-se na sua segunda família. Histórias sobre homens e mulheres inocentes libertos do corredor da morte devido à defesa de Bryan, histórias sobre esperança perdida e esperança recuperada. Cada uma dessas histórias é um apelo para reconhecer que não nos tornamos mais humanos ao desumanizar os outros; que a maneira como tratamos os pobres e os condenados fala muito sobre quem somos.

No dia em que deixamos de preocupar-nos com o sofrimento da humanidade, perdemos a nossa própria humanidade.

Qual é a injustiça que te move? Pode ser a situação das crianças refugiadas de Rohingya, separadas das suas famílias na crise humanitária de mais rápido crescimento no mundo de hoje. Pode ser a situação dos migrantes e dos refugiados vendidos como escravos na Líbia ou das cerca de 830 mulheres, que morrem todos os dias em todo o mundo devido a complicações na gravidez e no parto. A injustiça que te move pode estar também perto do lar: dentro da tua comunidade, da tua escola, do teu local de trabalho, da tua igreja.

Ver o Brian a trabalhar em Just Mercy irá desafiar-te a descobrir aquilo que te faz preocupar, arregaçar as mangas e dar tudo o que podes.

Dito isto, a justiça social não é um fim por si só. A única solução duradoura para a injustiça é o trabalho do evangelho em mudar o coração humano, e a segunda vinda de Jesus para pôr fim a todo o mal. No entanto, enquanto vivemos deste lado do céu, temos trabalho a fazer. Somos chamados a pregar o evangelho, tanto em palavras quanto em obras, para ser a boca, as mãos e os pés de Jesus: "Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras..." Isaías 58:6-7

Viver uma vida de “Apenas Misericórdia” é, simplesmente, seguir os passos de Jesus.

“O meu trabalho com os pobres e encarcerados persuadiu-me de que o oposto de pobreza não é riqueza; o oposto de pobreza é justiça. Finalmente, comecei a crer que a verdadeira medida do nosso compromisso com a justiça, o caráter da nossa sociedade... não pode ser medido pela forma como tratamos os ricos, os poderosos, os privilegiados e os respeitados entre nós. A verdadeira medida do nosso caráter é como tratamos os pobres, os desfavorecidos, os acusados, os encarcerados e os condenados.” Just Mercy p. 18


Thando trabalha no programa de saúde materno-infantil no Centro Canadense Internacional de Pesquisa para o Desenvolvimento (IDRC). Ela tem tido o privilégio de servir no ministério jovem e no campus em diferentes áreas nos últimos dez anos. É uma leitora ávida e acredita no poder dos livros para expandir e enriquecer a mente e a alma.