Tags


Na minha mesa de cabeceira #2 | Trabalho Profundo: Pensar, sem distrações (Josephine Elia)

8th March 2018

click for English click for Croatian click for Italian click for Portuguese click for Romanian click for Spanish

Na Minha Mesa de Cabeceira é uma série sobre livros que quer garantir que os melhores livros são lidos vezes sem conta. Sabe mais sobre esta série aqui.


Deep Work: Rules for Focused Success in a Distracted World (Trabalho Profundo: Regras para Sucesso Focado num Mundo Distraído), Cal Newport (2016)

Experimenta este exercício: Calcula quantos minutos, ou segundos, entre agora e a próxima notificação que receberes no telemóvel. Enquanto escrevia este artigo, acabei por receber cerca de cinco mensagens durante o tempo em que acabei a primeira frase.

Aqui está a luta da nossa vida moderna: Nós recebemos alertas e notificações no nosso telemóvel, tablet, portátil e computador. No tempo restante, carregamos nos ícones das aplicações e fazemos “scroll” com os nossos polegares. Aqueles que disputam pela nossa micro atenção, estão a fazer tudo o que podem para consumir o nosso tempo livre e extinguir o nosso aborrecimento. E, falando a verdade, a diversão é bastante aditiva.

”Este estado fragmentado de atenção não pode acomodar trabalho profundo, o qual requer longos períodos de raciocínio que não sejam interrompidos.”

Esta citação vem de “Deep Work: Rules for Focused Success in a Distracted World” de Cal Newport. Newport define trabalho profundo por:

Atividades profissionais realizadas num estado de concentração livre de distrações que leva as tuas capacidades cognitivas ao limite. Estes esforços criam um novo valor, melhoram as tuas capacidades e são difíceis de replicar.

A preocupação do “Deep Work”, não é tornares-te num tecnofóbico ou num hermita digital. Antes, o foco é melhorar a nossa capacidade de concentração,para que ganhemos novas capacidades rapidamente e de forma efectiva e produzamos trabalho de qualidade. É sobre criar um ambiente e um estilo de vida direcionado a ganharmos fluência—um estado mental tão fixo que não dás pelo tempo a passar—tanto quanto possível e treinar a nossa mente para chegar a esse estado facilmente.

Newport faz argumentos práticos—ao invés de morais—para o trabalho profundo. Aqueles que treinam a sua mente para a profundidade, podem obter vantagem sobre uma cultura que tende para o trabalho superficial e atribulado. Numa economia que depende de sistemas cada vez mais complexos e continuamente em mudança, a arte de dominar novas habilidades agrega grande valor. Quanto mais dominares esta arte mais te diferencias do resto da força de trabalho, mais valioso és e indispensável és para a tua organização.

Na minha opinião, a melhor parte do livro, são os conselhos práticos de Newport para criares um estilo de vida otimizado para a profundidade. Tendo em conta que cada linha de trabalho tem o seu próprio ritmo e estilos de comunicação (ex: hábitos de email), Newport adapta as suas recomendações para vários tipos de ambiente de trabalho. As suas dicas vão desde o micro, tal como organizar cada minuto do teu dia sem estares tenso e ficares sobrecarregado, escrever e-mails que suscitam respostas críticas e minimizam as respostas para lá e para cá desnecessárias para o macro, tal como, estruturares o teu horário anual para o trabalho profundo.

Atrever-me-ia a dizer que os leitores deste blog não precisam de ser convencidos sobre a importância da profundidade. Como pessoas que se esforçam para proteger o tempo calmo, reflexivo e pessoal, sentimos a extrema atração das distrações. A pergunta é, como é que resistimos, efetivamente. Este livro propõe algumas boas respostas.


Josephine Elia Loi é uma engenheira quimica que trabalha na industria da energia. Ela declara-se como uma amante de livros e aprendiz ao longo de toda a sua vida. Ela escreve em www.josephineelia.com. Se gostaste desta crítica, podes seguir a linha de pensamento da Josephine noutros blogs com temas semelhantes aqui e aqui.