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Desejar mas não decidir ser Cristão

14th January 2018

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Esta é a quinta publicação da série intitulada "Ciladas do Cristianismo". Nesta série, vários autores explicam mal-entendidos comuns que as pessoas que são cristãs ou querem ser cristãs frequentemente encontram na sua experiência. Estas "ciladas" são encontradas em citações do livro Caminho a Cristo, no qual a autora explica lutas que "muitos" enfrentam. A citação para este artigo é: “Muitos indagam: Como devo eu fazer a entrega do próprio eu a Deus?” Caminho a Cristo, 47. --Editor.

Já alguma vez tiveste uma ideia na tua mente sobre alguém que nunca tinhas visto mas da qual só tinhas ouvido falar e depois conheceste a pessoa e ela pareceu diferente do que estavas à espera? Ao longo dos anos tenho pregado internacionalmente e pessoas têm ido buscar-me a vários aeroportos por todo o mundo. Normalmente não é um problema uma vez que elas já me viram nalguma foto ou nalgum sermão na TV ou na internet. Mas já tem acontecido que as pessoas tenham uma imagem diferente de mim na sua mente e consequentemente tenham outras expectativas da minha aparência. Foi dito a um jovem casal da Austria que eu era um missionário. Sem nunca me terem conhecido, ou terem visto uma foto minha, eles estavam confiantes de que conseguiriam distinguir-me dentre todas as outras pessoas quando chegassem no aeroporto. Eles tinham em mente um homem idoso com uma barba e sandálias. Um “verdadeiro” missionário nas suas mentes jovens. Aqueles que me conhecem sabem que eu tive que desapontar as suas expectativas.

Quando Jesus veio a esta Terra a primeira vez Ele não foi reconhecido como o Messias. Não foi porque as pessoas não esperavam a chegada do, há muito aguardado, Messias. A antecipação pairava no ar porque a nação Judaica esperava que a promessa fosse finalmente cumprida. No entanto, as suas expectativas eram amplamente diferentes da realidade de como Ele verdadeiramente se parecia. Neste caso, eu não estou a falar apenas da aparência física, mas mais importante: da vida e do caráter de Jesus. A Sua conduta e atitude não se encaixava nas expectativas amplamente aceites da imagem do Messias. O discípulo João identifica isto sucintamente no início do seu relato sobre a vida de Jesus quando ele disse: “e o mundo não O conheceu. Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam.” João 1:10-11. O problema não era que eles não tivessem uma descrição d’Ele. Mais tarde Jesus disse: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam.” João 5:39. O que chamamos Velho Testamento hoje, são as mesmas Escrituras que os Judeus possuíam e liam nos dias em que Jesus andava entre eles. Eles tinham todas as profecias, dando-lhes todos os pontos de referência para discernir e reconhecer o Prometido. Falsas expectativas impediram-nos de ver e reconhecer Jesus. Ele simplesmente não se encaixava na imagem de como um Messias seria. Pode algo semelhante acontecer connosco, como povo escolhido de Deus para os dias de hoje?

Todos nós temos as nossas expectativas de como Deus é. Infelizmente, muitos são impedidos de fazer uma entrega total a Cristo e de O seguir, por causa de uma compreensão errada D’Ele. A trágica realidade é que existem milhões que desejam ser Cristãos, mas na realidade nunca decidiram seguir a Jesus. Isto está muito bem expressado, no pequeno e maravilhoso livro, intitulado “Caminho a Cristo”, por Ellen White. Na página 47 ela escreve: “Muitos se perderão enquanto esperam e desejam ser cristãos.”
O título deste artigo é : “Desejando mas não decidindo ser um Cristão”. Uma total entrega a Cristo faz a diferença entre meramente desejá-Lo e realmente decidir por Ele. Falsas expectativas podem dificultar isto de acontecer. Repara como isto é descrito no mesmo livro:

“Muitos indagam: “Como devo eu fazer a entrega do próprio eu a Deus?” Desejais entregar-vos a Ele, mas sois faltos de poder moral, escravos da dúvida e dirigidos pelos hábitos de vossa vida de pecado. Vossas promessas e resoluções são como palavras escritas na areia. Não podeis dominar os pensamentos, os impulsos, as afeições. O conhecimento de vossas promessas violadas e dos votos não cumpridos, enfraquece a confiança em vossa própria sinceridade, levando-vos a julgar que Deus não vos pode aceitar…”—Caminho a Cristo, 47.

Isto soa-te familiar? Eu penso que todos nós já passamos por isto, ou talvez seja exatamente assim que te encontras neste momento. A nossa expectativa de Deus é que Ele não nos vai aceitar e por isso não fazemos uma entrega total a Ele. A nossa expectativa d’Ele é que Ele não nos receberá. Então ficamos a desejá-lO mas não nos decidimos por Ele. Mas vejamos como a mesma citação continua…

”...mas não precisais desesperar. O que deveis compreender é a verdadeira força da vontade. Esta é o poder que governa a natureza do homem, o poder da decisão ou de escolha. Tudo depende da reta ação da vontade. O poder da escolha deu-o Deus ao homem; a ele compete exercê-lo. Não podeis mudar vosso coração, não podeis por vós mesmos consagrar a Deus as vossas afeições; mas podeis escolher servi-Lo. Podeis dar-Lhe a vossa vontade; Ele então operará em vós o querer e o efetuar, segundo a Sua vontade. Desse modo toda a vossa natureza será levada sob o domínio do Espírito de Cristo; vossas afeições centralizar-se-ão nEle; vossos pensamentos estarão em harmonia com Ele.”—Ibid.

Tudo depende da ação certa da vontade. É na parte do “como” no passo da entrega. Uma entrega total a Cristo acontece com uma entrega total da vontade. A promessa é que Ele então começará a trabalhar em nós e os nossos pensamentos serão trazidos à harmonia com os Seus. Se nós Lhe dermos permissão Ele irá remover as nossas falsas expectativas e abrirá os nossos olhos para reconhecermos verdadeiramente a revelação do Seu carácter dada nas Escrituras. Isto conduzir-nos-à a não apenas desejarmos ser Cristãos mas a decidirmos ser Cristãos!

Daniel Pel é Diretor e Orador do Ministério Living Water.