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Demorar a Responder à Convicção: O Perigo Contínuo dos Cristãos

14th January 2018

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Esta é a quarta publicação da série intitulada "Ciladas do Cristianismo". Nesta série, vários autores explicam mal-entendidos comuns que as pessoas que são cristãs ou querem ser cristãs frequentemente encontram na sua experiência. Estas "ciladas" encontram-se em citações do livro Caminho a Cristo, no qual a autora explica lutas que "muitos" enfrentam. As citações para este artigo são: “Não adieis a obra de abandonar vossos pecados e buscar, por Jesus, a pureza de coração. Nisto é que milhares e milhares têm errado, para sua perda eterna.” Caminho a Cristo, 32. “Muitos tranqüilizam a consciência perturbada, com o pensamento de que poderão mudar o seu ímpio procedimento quando bem o quiserem; que podem acolher levianamente o convite da misericórdia e, contudo, não deixar de serem impressionados repetidamente.” Caminho a Cristo, 33.—Editor.

A necessidade urgente de responder à convicção aplica-se diretamente ao coração não convertido, àqueles que ainda não decidiram ser cristãos. Mas a voz da convicção não cessa o seu trabalho uma vez que a alma decidiu aceitar a Cristo. A decisão de seguir Cristo deve ser renovada continuamente. Então estas citações também se aplicam àqueles que já aceitaram Cristo como seu Salvador. É por isso que Ellen White adverte mais tarde no capítulo, numa das declarações mais sérias no Caminho a Cristo: “Um mau traço de caráter que seja, um só desejo pecaminoso, acariciado persistentemente, acabará neutralizando todo o poder do evangelho.” Caminho a Cristo, 34.

Em 2016, mais de 8,5 milhões de pessoas morrerão com cancro (cerca de 24 000 pessoas por dia). A investigação actual sugere que cerca de 80-90% destes casos de cancro podem ser prevenidos por fatores relacionados com o estilo de vida ou uma por uma detecção precoce. Apesar do nosso conhecimento sobre os efeitos nocivos do tabagismo, ainda hoje cerca de um terço das mortes relacionadas ao cancro são atribuídas ao tabagismo. Podemos então concluir que: o medo e o conhecimento por si só não impedem que as pessoas prossigam padrões errados de comportamento.

Mas o que é que leva alguém a ceder a um comportamento que traz doença e, consequentemente, sofrimento ou até mesmo a morte?
Bem, provavelmente o facto de que esse comportamento não parece assim tão prejudicial e promete-te algo - um desejo profundo é atendido, pelo menos temporariamente. Isso faz-me lembrar a famosa citação de Blaise Pascal sobre o buraco em forma de Deus:

Que mais esta ânsia, e este desamparo, proclamam que ter havido em tempos no homem uma verdadeira felicidade, da qual tudo o que resta agora é a vazia impressão e vestígio? Isso ele tenta em vão preencher com tudo ao seu redor... uma vez que este abismo infinito só pode ser preenchido com um objeto infinito e imutável; noutras palavras, pelo próprio Deus. - Blaise Pascal, Pensées VII, 425.

Porque todas as pessoas estão à procura de satisfação e sentido, consciente ou inconscientemente, o desejo tem de ser preenchido com algo. Assim, lemos na Palavra de Deus: “Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade” Eclesiastes 3:11 (NVI). Portanto, há algo nos nossos corações que quer ser preenchido desesperadamente. Tentei preencher esse profundo desejo pelo significado real da vida com todas as formas de comportamentos destrutivos; a maior parte dos quais tende a ser viciante. Essa conduta destrutiva segue sempre um dos três padrões básicos de pecado dados na Bíblia: A concupiscência da carne (desejo pecaminoso), a concupiscência dos olhos (ganância, cobiça) e orgulho (vê 1 João 2:16). Estas tentativas de satisfazer-se dependem do “eu” ou de um ídolo. O seu consumo traz prazer; na realidade, a Bíblia não nega o lado prazeroso do pecado (Hebreus 11:25), mas mostra claramente como termina: em morte (Romanos 6:23). O problema é que muitos desses comportamentos não parecem nocivos nem nos fazem sentir mal à primeira vista e faríamos bem em descobri-los.

Hoje, mais do que nunca, compreendemos a enorme capacidade do cérebro humano para aprender comportamentos, bons e maus, pelo pensar e o agir repetido sobre os pensamentos. Essas vias neurológicas treinadas finalmente compõem a própria essência de quem somos - o nosso caráter. É por isso que é preciso algum esforço para desaprender comportamentos praticados há muito tempo.

Suponhamos que eras o diabo e não querias que uma pessoa se apercebesse da sua verdadeira condição, o que farias? Claro que apresentarias pensamentos e padrões de comportamento que, à primeira vista, parecem satisfazer perfeitamente esse desejo profundo e não fazem nenhum mal imediato. Eles tendem a seduzir, a fortalecer o eu e a diminuir o desejo de deixares Deus governar o teu coração. No entanto, quase nunca começa de maneira perceptível! A verdadeira pecaminosidade do pecado não é o mal aparente como retratado no ímpio violento e perverso. O maior perigo é praticar o pecado e não vê-lo como tal, um estado que mantém as pessoas cegas da sua verdadeira condição - e as pessoas são notáveis a praticar uma variedade destes comportamentos! Assim, as vias neurológicas são fortalecidas e uma mudança torna-se cada vez mais difícil.

O mais forte baluarte do vício no nosso mundo não é a vida iníqua… é a vida que parece virtuosa, honrada e nobre, mas em que se alimenta um pecado. Educação, 150.

A nossa confiança em ações virtuosas auto-forjadas, em comparar-nos com os outros e em julgar a nossa própria condição como "na verdade, não é assim tão má", é uma das maiores armadilhas. Ao longo dos anos praticas esses padrões comportamentais de classificar os teus próprios pecados como banais e pensas que é fácil deixá-los se, um dia mais tarde na tua vida, lutares contra eles o suficiente. Isso é apenas auto-engano! Anos a adiar decisões importantes e a treinar vias neurológicas, selam um caráter que não é facilmente mudado. A falta de ação decidida contra o comportamento pecaminoso irá expor-te a maior compromisso e diminuirá o teu desejo espiritual e poderá levar à perda eterna. Parece assustador? Bem, o medo pode e deve por-te alerta, mas o medo por si só não pode ser o meio de uma verdadeira mudança espiritual. Nunca!

No início, afirmamos que o medo e o conhecimento por si só não impedem as pessoas de enveredar por padrões de comportamento errados. A verdadeira batalha começa quando permites Deus entrar na tua vida e dar-te um vislumbre da tua condição real, que é algo assim: Um momento impaciente de gritaria veste o disfarce de zelo pela verdade. A luxúria mascara-se como um amor pela beleza. Os mexericos vivem no disfarce da preocupação e oração. O desejo de poder e controlo usa a máscara de liderança Bíblica. O medo de homens veste-se como sendo um pacificador ou tendo um coração servil. Agora compreendemos que a verdadeira solução para o nosso problema precisa de mais do que força humana; precisa de um poder transformador externo. Somente no espelho da Palavra de Deus e com ajuda doadora de visão do Espírito Santo, somos capazes de ver-nos com precisão. Fala com Deus abertamente sobre teus anseios mais profundos - garanto-te que Ele providenciará verdadeiro arrependimento e preencherá o teu coração com a Sua paz permanente! Já o experimentei vezes sem conta: “Provai, e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele confia!” Salmos 34:8.

Preenchendo o teu vazio com a forma de Deus

Tem a certeza, existe um Deus verdadeiramente amoroso que merece o teu todo, que é digno de ser adorado e seguido, que quer o teu melhor, e eu encorajo-te fortemente a agarrares de todo o teu coração a promessa Bíblica de que “buscar-me-eis e me achareis”. Jeremias 29:13. Deus, que nos ama o suficiente para sacrificar o Seu Filho para a nossa redenção, trabalha para que nos vejamos claramente, de modo a que não aceitemos a ilusão da nossa justiça própria. Ele dá-nos um humilde senso da nossa necessidade palpável pela paz de espírito através do Seu remédio perfeito contra o pecado: a limpeza de toda sujidade e impureza. Nenhum caso é demasiado difícil para Deus conceder cura. Porém, devemos responder à convicção. Porque não entregas o teu coração por completo a Cristo agora, sem adiares mais e fortaleceres os padrões pecaminosos? Mas pede-Lhe o poder para dar a volta, fala com Ele e prova e vê quão bom o Senhor realmente é! Então, meu amigo, “Tratai sinceramente com vossa alma. Sede fervorosos e constantes, como se estivesse em jogo vossa vida mortal.” Caminho a Cristo, 35.

Andreas Binus é médico e co-diretor de ENAD.